Barco à deriva ou mar revolto?

A sessão da Câmara de Vereadores promete ter um debate acalorado nesta terça-feira (28), e não é por conta de discussão de projetos de leis ou algo do gênero, mas sim por promessas de ‘arranca rabo’ mesmo entre alguns vereadores, tipo aquelas brigas de escolas que são prometidas de véspera.

A origem foi uma postagem do vereador de oposição Álvaro de Oliveira (SD), que publicou um artigo intitulado de “O barco do prefeito está afundando…”, e não somente colocou o chefe do Executivo na navegação, como os companheiros do Parlamento ao declarar que na sessão onde estavam presentes os servidores do CCZ que requeriam direitos, os vereadores da base teriam abandonado o plenário por incapacidade de defender o governo e como ‘gatinhos acuados e irão abandoar esse barco com medo da extinção? Será que irão trocar suas centenas de cargos para terem uma chance de reeleição?’.

Mas na verdade estavam em sala anexa exatamente reunidos com os representantes do setor, e essa posição de Álvaro Oliveira insuflou a discussão que foi parar no plenário onde dois vereadores se rebelaram.

Atitude covarde …

O vereador Cláudio Andrade bradou contra a postura do edil e comparou os governos ao qual Álvaro fez parte como chefe de gabinete da prefeita Rosinha Garotinho e ainda como presidente da EMUT, e o governo Rafael Diniz.

“Há uma distância muito grande entre o que vou falar e o que ele pode falar, defendo o governo honesto, e ele por muitos anos defendeu um governo desonesto, como ele foi quando alguns postes começaram a cair e ele disse que era atentado terrorista, demonstra tamanha irresponsabilidade. Diz que o barco está afundando e nos afastamos do plenário. Ele incita para que os resultados não deem certo, torce contra mesmo que isso atinja aos servidores. Não teve peito e coragem para estar conosco para resolver olho no olho. Ao nos chamar de dinossauro, acertou, não somos abutres igual a ele que trabalha no caos, no desastre. Torce para que os servidores não tenham reajuste, por exemplo, porque assim perde o diálogo, as únicas armas que tem difamar, o governo os vereadores e até seu seus parceiros de trabalho de convívio. O governo tem problemas sim, claro, e falamos, diferente dele que não fala do seu amigo presidiário. Não tem sequer uma lei e deveria começar a trabalhar ao invés de ser artista de redes sociais”.

Genásio que chegou a ser citado na postagem, na condição de líder do governo, prometeu pegar Álvaro nesta terça, ou seja, anunciou o encontro. “Não fazemos parte de organização criminosa. Ele é um covarde. Tinha que ser homem para ficar aqui e honrar a palavra dele. Mas terça vai estar aqui e quero ver ele falar isso na minha frente”.

Já o presidente Fred Machado contemporizou e disse que iria tentar acalmar os ânimos. Será???

Rachou …

A denúncia que ganhou destaque nos grupos do whatsapp dando conta de uma fala do ex-assessor e chefe de gabinete do presidente da Câmara Municipal de Campos, Fred Machado (PPS), traz à tona uma prática da política e que tem atormentado a vida de muitos políticos, como do filho do presidente Jair Bolsonaro, o senador e ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro.

Jorjão, como é conhecido, não poupou críticas ao presidente da Casa de Leis e revelou o que diz ter ocorrido no período em que era nomeado, a tal prática conhecida como ‘rachadinha’, aquela que o político nomeia e fica com parte do salário.

Caso Fred Machado acione a Justiça, onde só vai quem tem a tranquilidade de não ser pego em saia justa. Já Jorjão se tornou réu confesso, quando diz claramente que era o responsável por apanhar com os assessores os valores para repassar ao parlamentar. Para quem tem, no caso de Jorjão, a intenção de concorrer às eleições municipais em 2020, como ele mesmo afirma no áudio, as explicações ao Ministério Público, por exemplo, deverão ser bem contundentes, se chamado for.

Atualmente Jorjão atua na área da comunicação onde tem programa na Rádio Aurora, e tem promovido em bancada formada por outros participantes, debates na área política.

Comissões definidas

Um dos maiores desafios previstos para o mandato de dois anos à frente da presidência da Câmara de Vereadores de Campos, parece ter sido vencida com louvores, pelo vereador Fred Machado (PPS), a tão discutida criação do Conselho de Ética. Essa era uma celeuma travada desde a gestão do então presidente Édson Batista (PTB). A comissão de ética tem papel importante, por exemplo, para se evitar ou então agira quando das famosas e desagradáveis agressões entre os parlamentares.

Levando em consideração a proporcionalidade do partidos, a presidência ficou com o vereador Silvinho Martins (PRP); Abu (PPS) como vice-presidente, além de Enock Amaral (PHS), Rosilani do Renê (PSC) e
Cabo Alonsimar (PTC), o último, sendo o único da base de oposição ao governo Rafael Diniz. Os quatro demais formam a base de apoio.

E se a Comissão de Ética foi bem resolvida, não dá para dizer o mesmo sobre a decisão de quem ficaria na presidência da de Saúde, depois da saída de Abdu Neme, que assumiu a Secretaria de Saúde do município. Enock Amaral e Ivan Machado duelaram pelo espaço, mas quem chegou por último acabou não rindo. Contrariado, Ivan Machado que é da área da odontologia, nem compareceu a reunião decisiva, pelo jeito já ciente das definições que não o agradaram.